[RESENHA #53] Feridos, Por Escolha ou Destino - Lee, Jhey

By Soul dos Livros - 20:18

Lido quase devorado, "Feridos - Por Escolha ou Destino" me impressionou. Foi quase impossível dar uma nota para uma história tão lotada de novidades. Eu demorei e me embaralhei conversando com a autora sobre minhas impressões; longos áudios com a linda e amiga Jhey e palavras bagunçadas enquanto discutíamos cada ponto da obra. Admito que poder fazer isso com a autora do livro é muito bom e divertido.

Bem, a resenha pode ter ficado longa, mas vamos lá?



NOTA: 4/5

ONDE ENCONTRAR: WATTPAD - SKOOB - COM A AUTORA

SINOPSE: A ser disponibilizada




Começando pela história, a autora conta principalmente de AngelLee e a usa como veículo para os outros personagens. É através da relação deles com ela que os vemos mais claramente, muitas vezes. A história começa com a chegada de AngelLee na escola. Temos um futuro alternativo em que jovens de vários países chegam para estudar nessa escola de elite. Não sabemos bem como é esse futuro, pois também parece não ser exatamente um foco - o que aconteceu não importa, mas sim o presente do livro. No início temos aquela sensação de que será aquela típica história em que temos todos os homens caindo pela principal (ela é linda e atraente, mesmo, fazer o que) mas logo percebemos que ela não tem objetivo nenhum de se apaixonar. Vemos logo também que a história tem bem mais a nos dar que um romance com hexágonos (rsrs) amorosos.

Quanto à estrutura, a história não tem uma personagem foco, embora tenha núcleo na AngelLee, pois segue vários personagens ao mesmo tempo. A autora adotou uma narrativa nova (para mim) e inteligente em via de demonstrar da melhor forma possível o movimento e instabilidade da vida, enquanto segue inúmeros personagens em sua terceira pessoa no presente. Pessoalmente, não gostei desse tipo de narrativa, mas foi tão bem pensado e passa tão bem a ideia de acontecimentos se desenrolando exatamente enquanto lemos, que de maneira alguma posso fazer um comentário negativo sobre ela. Além desse imediatismo, o livro conta com uma massiva simultaneidade de eventos; você está lendo uma cena de AngelLee e, de repente, é cortada e passa para uma de outros personagens, e assim continua pelo livro todo, imitando a vida real como ela é. No quesito diagramação, a edição atual possui divisórias de capítulo estranhas de asteriscos que dá uma aparência improvisada, mas posso garantir que na próxima edição (segundo a autora) haverão divisores diferentes e mais condizentes com o livro. Outro fator que eu não gostei - e esses se manterão ao que eu sei - é o padrão de "hashtags" como descrição (ou tema) do capítulo que se inicia. Achei deslocado e um pouco sem propósito.

O livro nos traz uma história cheia de conflitos e terrores. Temos personagens envolvidos com drogas, drogados ou traficantes; cenas em que meninas são drogadas e atacadas por amigos que confiavam; vemos o amor real entre amigos; tem lutas, brigas, lágrimas e risos. Jovens mafiosos, cruéis ou sensíveis. Nossa AngelLee tem que lidar com tudo enquanto tem sua inocência pouco a pouco testada. Seu coração se desgasta pela indecisão entre deixar seu amor se perder, ou se perder por ele. Dentro desse caos, nossos personagens #junhosoul de hoje não são um casal romântico, mas a demonstração pura de dois amigos que decidem proteger um ao outro e se importam sem segundas intenções: Jimmy e Angel. Dois que eu achei que não passava de mais um caso de "friendzone", mas que se mostraram fiéis e verdadeiros. São também o orgulho da autora (ao que eu soube, rs).

Ainda na história - e me contendo para não dar spoilers - não fui a maior fã do final. Tem todo o tom de uma história que, de repente, lhe é tirada da mão e te diz: "boa sorte agora para conter sua ansiedade!" e eu não lido muito bem com esses tipos de finais quando não tenho acesso ao próximo livro, rsrsrs. Novamente, porém, faz parte do estilo da narrativa da autora e da vontade de passar sem piedade a imprevisibilidade da vida ao leitor. Se eu fui gritar com a Jhey "ESSE É O FINAL?!"? Eu fui. E ela riu muito, diga-se de passagem.

Algo que me deixou extasiada e impressionada - de verdade, muito - foi a habilidade de descrição das cenas que mostrava ou envolvia efeito de drogas. As alucinações, a agonia e desespero que isso causava aos personagens; a angústia do leitor enquanto lê. Acredito que essa seja a melhor parte de todo o livro. Eu não esperava tal perícia de Jhey Lee, eu admito com todas as letras. E fiquei extremamente, extremamente maravilhada com as cenas. Não sou a pessoa mais sensível quando se trata de livros de parceiros, acabo sendo mais fria e crítica. Pois essas cenas são sensacionais e me deram arrepios e angústias exatamente quando deveriam dar. Meus parabéns - mais uma vez - à autora. Isso revela muito da profunda pesquisa por parte da autora e ela escreve sem medo de chocar o leitor, tendo como um dos objetivos oferecer a este uma visão mais clara possível do que é o sentimento e suas consequências.

Isto ocorreu tanto nas cenas de drogas, como nas que mostram outro tipo de sofrimento. A perda da amada que leva à desesperança e vontade de se matar; o saber que confiou na pessoa errada; a dor do amigo que não conseguiu se impor o suficiente para salvar a amiga; a dor da impotência ao ver seu amor se destruir; a desilusão de alguém que se deu completamente por alguém que não pretendia retribuir o desgaste.

Esse livro trabalha com questões realmente pesadas e com pouquíssima romantização. Riquíssimo em personagens - cada um com sua profundidade particular - que ainda têm muito mais a dar (Jhey, quero o segundo volume, sos), minha opinião final sobre "Feridos - Por Escolha ou Destino" é positiva! Recomendo para quem quer algo bastante diferente para ler.

Já leu? Então deixa um comentário aqui em baixo!! Obrigada, e até amanhã!!

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